quarta-feira, 21 de abril de 2010

Concílio de Constantinopla

Introdução

Estaremos nesse momento fazendo uma breve e suscita análise da importância do concílio de Constantinopla, e o grau de contribuição que ele representa até hoje para a igreja cristã. Veremos que nesse concílio universal da igreja foram discutidas diversas discordâncias teológicas que até hoje reflete como credos e dogmas para a igreja da atualidade.

Concílio de Constantinopla (381 d.C.)

Entre 313 e 451 d.C., as controvérsias teológicas resultaram em concílios que tentaram resolver as questões em disputa através da formulação de Credos. Esses concílios conhecidos como universais ou ecumênicos de líderes da Igreja foram convocados para resolver esses conflitos teológicos. Neste período, estabeleceram-se os principais dogmas da Igreja Cristã. Esses concílios eram geralmente convocados e presididos pelo Imperador romano.
O Concílio de Constantinopla, foi convocado pelo imperador romano Teodósio, o concílio reuniu-se na Igreja de Santa Irene, de maio a junho de 381, sendo esse, o segundo concílio universal da igreja, e o primeiro dos três que foram realizados em Constantinopla.
Ele tem um grande e importante papel histórico na Igreja, pois nele foram discutidos pontos significativos da fé cristã, e pôs fim, definitivamente a controvérsia de Ário, presbítero de Alexandria (256 – 336 d.C.), a sua doutrina ficou conhecida como, arianismo, ele formulou e ensinava a doutrina de que o Logos (Cristo) era um ser criado a partir do nada, subordinado ao Pai e de essência diferente do Pai. Não era co-igual, co-eterno e da mesma substância com o Pai. Para ele Cristo era divino mas não era Deus. Suas teorias foram formuladas com base em especulações teológicas gregas, florescentes do gnosticismo.
Sua doutrina:
1. Deus é ímpar e não-gerado (agennetos). Fora de Deus, tudo o mais foi criado através da vontade de Deus.
2. O logos (Cristo) é um intermediário entre Deus e o homem. Ele começou antes do tempo, mas não seria eterno, ou seja, havia um tempo em que o logos não existia, embora Deus já existisse,sendo assim, ele seria um ser evoterno.
3. O logos foi criado por Deus, ele também nasceu (gennetos), o que aponta para uma filiação por adoção.
4. O logos encarnado (Jesus Cristo), é assim, inferior a Deus.

A relação do Filho com o Pai na Eternidade.
Surgiram, logo nos primeiros séculos, muitas teologias, e à medida que elas iam surgindo, traziam com elas uma diversidade de interpretações, entre elas, temos Jesus que para alguns ele era apenas divino, docetismo*, negava totalmente a humanidade de Cristo, outros por sua vez, negavam a divindade de Cristo, dizendo que ele era “puramente homem”, e que nele não habitava o próprio Deus, mas o “poder impessoal” de Deus, afirmação do teólogo Paulo de Samosata. Havia um extremo entre as teologias, que precisava ser tratadas o quanto antes.
Essa questão, teve seu principal defensor, na pessoa do jovem Atanásio, naquilo que chamaríamos de interpretação ortodoxa. Ele havia estudado na escola de Alexandria. No concílio esse jovem teólogo, defendeu a idéia de que Cristo existiu desde a eternidade com o Pai e era da mesma essência (homoousisos) com o Pai, embora fosse uma personalidade distinta. Ele insistia nesta interpretação porque cria que, se Cristo fosse menor do que Ele mesmo afirmava ser, não poderia ser o Salvador dos homens. Ele afirmava categoricamente que Cristo era co-igual, co-eterno e da mesma substância com o Pai, e, por estas idéias ele conheceu o exílio cinco vezes antes de morrer.

Relação do Espírito Santo com o Pai
A relação do Espírito Santo com o Pai, foi outra questão doutrinária discutida nesse concílio, Macedônio, bispo de Constantinopla de 341 a 360, ensinava que o Espírito Santo era “ministro e servo” no mesmo nível dos anjos. Acreditava que o Espírito Santo era uma criatura subordinada ao Pai e ao Filho. Essa era uma negação da verdadeira divindade do Espírito Santo que seria tão maléfica à doutrina do Espírito Santo como foram às idéias de Ário acerca de Cristo. O concílio ecumênico de Constantinopla condenou as idéias de Macedônio.
Quando o credo de Constantinopla, ou credo Niceno, foi recitado no terceiro concílio de Toledo em 589, as palavras “e o Filho” (filioque) foram acrescentadas à declaração “que procede do Pai”, ao qual, se refere ao relacionamento entre o Espírito Santo e o Pai e o Filho. As igrejas ocidentais desde então têm insistido na verdadeira divindade e na personalidade do Espírito Santo como co-igual, co-eterno e da mesma substância com o Pai e com o Filho.

Cristologia – Controvérsias sobre o relacionamento entre as naturezas de Cristo.
Uma interpretação das duas naturezas de Cristo, que, de certo modo recusa a verdadeira humanidade de Cristo, foi elaborada por Apolinário (310 – 390 d.C.), ex-professor de retórica e bispo de Laodicéia. Até essa época, fora grande amigo de Atanásio e um dos campeões da ortodoxia. A fim de evitar a indevida separação das naturezas humana e divina de Cristo, Apolinário propôs que Cristo tinha um corpo e uma alma reais, mas que o espírito do homem foi substituído em Cristo pelo logos. Como elemento ativo o logos, dominava ativamente o elemento passivo, o corpo e a alma, na pessoa de Cristo, ou seja, Nele o Verbo ocupava o lugar que nos demais seres humanos têm alma racional. Ele exaltava a divindade de Cristo, mas minimizava sua verdadeira humanidade. Essa afirmação trazia alguns perigos, pois um corpo humano com mente e personalidade puramente divinas não é verdadeiramente um ser humano.
Essa questão, estava principalmente relacionada à solteriologia, que dizia, que se a Salvação se baseia no fato de Deus, em Cristo, ter tomado a nossa humanidade, para assim nos salvar, como pode nos salvar um Jesus em quem Deus assumiu somente o corpo humano, e não a alma racional? A qual está localizada os piores pecados. Para salvar o ser humano em sua totalidade o Verbo deve se unir a um ser humano completo. “Foi feito homem, ou seja, homem perfeito, com alma, corpo e intelecto, e com tudo que faz parte de um ser humano”, por fim, essa doutrina foi totalmente e oficialmente condenada no Concílio de Constantinopla em 381 d. C...
Esse concílio também determinou que o bispo de Constantinopla só perdia em honra e autoridade ao bispo de Roma, isso significa que Constantinopla ultrapassara a Alexandria em importância, um significativo acontecimento histórico.

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